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Metal se adapta ás exigências de qualidade e design do mercado de luxo e está cada vez mais presente nas montadoras

29-10-2009

Metal se adapta ás exigências de qualidade e design do mercado de luxo e está cada vez mais presente nas montadoras

Nos modelos de luxo, esse aproveitamento é ainda mais intenso: já abrange também carroceria e estrutura.

Nessas diversas aplicações, o alumínio apresenta o diferencial extremamente favorável da densidade inferior à do aço; com ele, é possível reduzir o peso dos veículos, e assim obter, simultaneamente, dois grandes benefícios: melhor desempenho e redução do consumo de combustíveis, com a consequente minimização dos impactos ambientais. E nunca é demais lembrar: o alumínio também se associa à causa da sustentabilidade como decorrência da elevadíssima reciclabilidade. 

Contribuem, ainda, para o interesse da indústria automobilística pelo metal a possibilidade de obtenção de acabamento de melhor qualidade, e determinadas características técnicas - como índices de deformação e de dissipação de calor -, mais favoráveis. Atualmente, valem-se desse potencial os principais símbolos de luxo da indústria automobilística, como Rolls Royce, Aston, Martin, Lamborghini, Bentley, Maserati e Porsche. A lista inclui, também, a Ferrari, que lançou no ano passado o modelo California, um cupê conversível com capota de alumínio.

Outros modelos dessa marca, entre eles, o 599 Fiorano e o 360 Modena, trazem carroceria, suspensão, rodas, acabamentos, tanque de combustível e motor fabricados com esse material. "Há outras possibilidades de utilização de alumínio nos modelos mais sofisticados de carros, sempre buscando melhor acabamento com qualidade", responde Mauri Souza, chefe da oficina do Serviço de Assistência Técnica das marcas Ferrari e Maserati no Brasil.

Na montadora Audi, o alumínio embasa um conceito denominado Space Frame, hoje empregado em modelos como o TT - cuja carroceria pesa apenas 206 kg -, e o superesportivo R8. Neles, 70% do material das carrocerias é alumínio. "Hoje também usamos muito esse metal nos motores", conta Rafael Clemente, gerente de produtos da Audi no Brasil. "E ele está cada dia mais presente também na suspensão: desde 2007, o sistema das novas gerações de todos os nossos modelos já é quase 100% produzido com alumínio", acrescenta. 

Benefícios palpáveis

As empresas produtoras de alumínio investem no desenvolvimento de materiais mais adequados às necessidades dos produtores de automóveis. A Novelis, em 2006, anunciou o lançamento da tecnologia Fusion, na qual a fusão simultânea de camadas de várias ligas de alumínio gera uma única placa para laminação. No final de 2008, essa tecnologia já tinha uma primeira aplicação automotiva no sedan BMW 7 Series. 

Luiz Estrozi, gerente de serviços e treinamento da BMW Brasil, conta que o alumínio começou a ser utilizado mais intensamente pela empresa na chamada Série 5; além de presente no powertrain - conjunto de motor mais transmissão -, o alumínio é matéria- prima básica das áreas frontais dos veículos dessa série. 

Mas na Série 7, a mais luxuosa da BMW atualmente, esse uso é ainda mais difundido, e atinge também itens como portas e teto. "E o teto tem uma novidade:é colado, e não soldado", detalha. Esse processo de colagem torna mais barata e mais eficaz qualquer ação de reparo que se faça necessária. 

De acordo com o gerente, além da menor densidade em relação ao aço, e do potencial para acabamento de melhor qualidade, o alumínio tem outras características interessantes para a indústria automobilística: se adequa melhor ao conceito de 'deformação programada', desenvolvido para ampliar a segurança dos veículos. E, em determinadas utilizações, permite maior dissipação de calor. Também se vincula melhor ao conceito da sustentabilidade ambiental, hoje básico para indústrias de quaisquer ramos de atividades. "Atualmente, alguns modelos BMW já apresentam índice de reciclagem de 99%", conta.

Importante para a preservação do planeta, essa busca pela sustentabilidade pode ainda gerar diferenciais mercadológicos significativos: "Para muitas pessoas é importante adquirir um automóvel que ajuda a preservar o meio ambiente", pondera Francisco Satkunas, engenheiro automotivo e conselheiro da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil). Os motores a gasolina, afirma Satkunas, têm eficiência energética muito baixa, pois Os carros de luxo tornaram-se um mercado promissor para a indústria do alumínio. Marcas conceituadas, como a Ferrari, investem cada vez mais nessa presença apenas 1/3 do combustível neles utilizado realmente faz o veiculo mover-se;o restante perde-se no atrito entre os componentes, na forma de calor, ou no sistema de refrigeração. "Não é tarefa simples ampliar a eficiência energética desses motores; para incrementar o desempenho, é interessante reduzir o peso dos veículos. Aí entra o alumínio, cuja densidade é bem inferior à do aço." 

No rumo do futuro

Esses e outros benefícios tornam a utilização do alumínio na produção de automóveis de alto luxo cada dia mais disseminada e confere elevadíssimo desempenho. Apresentado na edição deste ano do Salão do Automóvel de Genebra, o Lamborghini Murcielago LP 670-4 SuperVeloce, por exemplo, "emagreceu" vários quilos graças ao uso mais acentuado desse e de outros materiais (caso da fibra de carbono). Consegue, assim, um desempenho impressionante: seu motor 6.5 V12 com 670 cavalos de potência permite-lhe acelerar de 0 a 100 km/h em pouco mais de três segundos, e atingir velocidades superiores a 340 km/h. 

"Desde 1998, temos concessionárias no Brasil totalmente aptas a trabalhar com alumínio, mas esse gênero de serviço exige equipamentos mais sofisticados", explica Estrozi, da BMW, que também controla a Rolls Royce. A Mercedes investe nessa alternativa: até 2012, planeja colocar no mercado o modelo SL com carroceria e painel de alumínio. Estima-se que, comparativamente aos atuais modelos da marca, esse lançamento será algo 10% e 15% mais leve. Clemente, da Audi, prevê que, mesmo nos automóveis menos luxuosos, o alumínio terá maior presença em outros itens - nos suportes, com os quais os alternadores e outras peças são acoplados aos motores. "E acho que, mesmo nos populares, ele será mais empregado na produção de motores, pois os fornecedores são globais, e muitos já usam bastante o metal", destaca. 

Carrocerias e estruturas de alumínio devem tornar-se ainda mais comuns quando, num futuro não muito distante, os carros movidos a energia elétrica ganharem escala mercadológica. "As baterias desses modelos são muito pesadas, algo entre 120 kg e 150 kg", lembra o engenheiro Francisco Satkunas, da SAE. "Para compensar, será necessário reduzir o peso de outras partes do carro", finaliza. O planeta e as novas gerações agradecem. 

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Alumínio na vitrine

Tanto empresas do setor de alumínio quanto montadoras e instituições de ensino agora investem na divulgação das vantagens e benefícios dos carros construídos com o metal. Valem-se de eventos dirigidos ao setor automobilístico e também às ações de sustentabilidade. 

No último congresso e Exposição de Tecnologia da Mobilidade, realizado em outubro último, em São Paulo, a Alcoa exibiu em seu estande uma carroceria do modelo Audi TT construída dentro do conceito Space Frame, apresentado também no Ecogerma (Congresso e Feira de Negócios, Produtos e Tecnologias Sustentáveis), ocorrido em março deste ano. Foi também da Audi a carroceria de alumínio mostrada no Salão Internacional do Automóvel, em outubro, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Nas carrocerias, são empregadas 16 técnicas de união: mecânica (rebites, recalques e parafusos); térmica (solda laser, solda a ponto por resistência, solda de pinos, entre outras), e união por adesivagem ou colagem. Montadas com perfis extrudados, chapas e peças fundidas em alumínio têm diferenciais favoráveis de absorção de impactos e apresentam design moderno, além de gerar melhor desempenho. 

Fonte: Revista do Alumínio

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